Seu Juca: letrista popular
As origens do design visual encontram-se no trabalho de letristas, tipógrafos e artistas gráficos autodidatas do passado dos ’’grafiteiros’’ de Pompéia aos artistas comerciais do século 19. É dentro desta tradição que o trabalho de Seu Juca se inscreve, e é com ela que se coloca em diálogo. Sendo assim, o que podemos apreciar em suas placas não é a expressão de alguém ’’de fora’’, mas um reflexo da própria história do design e da tipografia, processado e re-apresentado de forma sincera e original por um letrista popular brasileiro, na virada do século 20.
A caracterÃstica mais importante do trabalho de Seu Juca, contudo, residiam no fato de ele ser movido por um propósito genuÃno e inadiável de dar forma visual adequada à s necessidades cotidianas de comunicação daqueles que habitavam seu entorno, princÃpio fundamental do design da informação, sem o qual esta atividade se resumiria a um conjunto de prescrições e regras desvinculadas da vida.
Priscila Farias
Designer e Tipógrafa de São Paulo, autora da fonte Seu Juca
Seu Juca
João Juvêncio Filho, Seu Juca, nasceu no bairro de Casa Amarela,
Recife-Pernambuco no ano de 1944. A falta de condições financeiras fez com que cedo, abandonasse os estudos para trabalhar. Entre outras, Seu Juca exerceu atividades como jogador de futebol, ilustrador, pugilista e catador de latas, nas quais escrevia pensamentos populares antes de vendê-las. Sua profissão de Letrista, ofÃcio que dizia ter aprendido por conta própria, surgiu da necessidade de pintar boléias de caminhão em troca de carona quando tentava chegar a São Paulo em busca de trabalho. Paralelamente aos empregos que conseguia, Seu Juca confeccionava placas comerciais com o fim de melhorar seu orçamento. Ao voltar ao Recife, continuou com o ofÃcio de letrista atendendo a vários estabelecimentos comerciais da cidade. Seu Juca criava e reproduzia ditados populares com exclusividade para os Bares Fiteiro (Parnamirim, Porto de Galinhas e Recife Antigo)
Seu Juca possuÃa uma profunda admiração por Van Gogh, com o qual afirmava comunicar-se telepaticamente.
Seu Juca, faleceu em 07.09.2007, após ser atropelado por um ônibus em sua bicicleta, na Av. Rui Barbosa próximo a praça do entroncamento, no bairro das Graças , Recife-PE.